Para ser aceito na sociedade moderna como uma pessoa "normal", devemos atender alguns pré-requisitos mínimos... continue lendo

Quem nunca ouviu a velha máxima "As palavras têm poder"? continue lendo

Anjos existem. Como eu sei? Conheci um. Ele estava parado em minha frente... Continue lendo

E sua mãe entra no quarto e a chama: - Acorda, já são 6 horas... Continue lendo

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Uma Carta à Curitiba

domingo, 21 de agosto de 2011

À Curitiba,


Querida CURITIBA. Sei que seu humor anda meio instável e isso tem se refletido em nosso clima. Contudo, seja compreensível conosco, reles mortais, que somos obrigados a sair de casa com dois conjuntos de roupas, três blusas quentes, um par de meias e sapatos reservas e um guarda-chuva, e o que é pior, em dia de TRABALHO! Curitiba, minha querida... todos que aqui moramos a adoramos, contudo o seu mau-humor tem nos deixado em maus-lençóis... Afinal, não são todos que saem com todos esses mantimentos de casa pela manhã...
Então, se não for pedir muito, mantenha o clima ameno. Pode estar frio, estamos acostumados, mas um solzinho também faria bem... Se isso for pedir muito, acredito que se apenas manter a chuva afastada durante a semana, ficaremos muito agradecidos.

Uma boa semana.

Atenciosamente,

Debbie Oliveira

Desabafo...

sábado, 16 de outubro de 2010


Sinto a chuva cair no meu rosto e escorrer misturada as minhas lágrimas,já não posso mais conter,assim como minhas lágrimas queria poder sair deste corpo e me encontrar,descobrir de alguma forma quem realmente eu sou,forço a mim mesma acreditar que tudo acontece porque tem que acontecer mas no fundo não acredito,as vezes penso que vou enlouquecer,que de uma hora pra outra minha alma vai se separar do meu corpo e seguir seu caminho,ir pra onde eu deveria estar.

Me perco em meus pensamentos e sentimentos,já não sei se o que sinto é real,se eu sou real. Lembro-me de tudo que vivi,lembro do gosto daquela comida,do cheiro daquele lugar,daquelas plantas molhadas com o orvalho da manha.Sinto o carinho de quem não está aqui,seu perfume,o cheiro do seu cabelo quando me abraçava.Mas,quando isso aconteceu?Ontem,ou a cem anos? Se essa vida é mesmo minha porque não pude vive-la,porque permitir lembranças quando se nega o fato?.
Engasgo com o choro da saudade,mas eu mesma nao sei porque choro.Por ter vivido algo tão maravilho e não poder mais viver ou por ter medo de ter vivido a tanto tempo que ja não poderei mais buscar e continuar de onde parei.

A maior loucura é ser sã,e não poder valer da loucura do corpo e da mente.

O MUNDO COMO ELE REALMENTE É. PARTE 1 - Estágio

sexta-feira, 30 de julho de 2010


Papo Sério: O MUNDO COMO ELE REALMENTE É. 


Parte I - Estágio 

Depois de um longo tempo afastada do meu querido VQP, cá estou eu novamente.
Cheguei com tudo, e dessa vez pra ficar. Estava com um bloqueio mental e não conseguia escrever absolutamente nada, acredito que finalmente tenha passado /meuqueridodiário.
Pra provar que estou realmente de volta, já voltei criando uma nova coluna: PAPO SÉRIO.
Aqui quero por em prática o meu tão amado pseudônimo: ‘Psicóloga de Botequim’ que simplesmente tinha como objetivo abrir os olhos de quem procurava meus conselhos, para o tão temido MUNDO REAL.

Um pouco de realidade não faz mal a ninguém, não é? Então aí vai. E se prepare, pois o PAPO é SÉRIO



Enquanto somos crianças, sonhamos com castelos, batalhas, viagens à lua, príncipes e princesas, fadas madrinhas, e todas essas coisas... ENCANTADAS. Isso é bom, é maravilhoso na verdade. Nada pior que uma criança que não tem sonhos malucos... Pois esta também não tem a magia da infância no coração.

Porém, crianças crescem. Deixam de ser crianças, e é importante que transformem os ‘sonhos malucos’ em lembranças boas, e passem a sonhar coisas reais, que passem a ter objetivos, metas.

Quando crescemos, começamos a ter a intuição de que o mundo não é tão encantado quanto imaginávamos. E acreditem, REALMENTE não é.


Quantos anos você tem? Se já passou dos 15 e ainda sonha acordado com as corridas dos ‘Velozes & Furiosos’ ou com a vida maravilhosa da protagonista do ‘Diário da Princesa’, sua situação ta bem complicada, meu amigo.

É hora de tomar um bom banho com água fria pra ver se toda essa ficção se esvai.

Com 15 anos é hora de você estar pensando em como vai ser sua vida daqui a 5 anos. Acredite, 5 anos é um tempo muito curto, passa voando.
Estude, se prepare pra pegar um estágio assim que fizer 16 anos... Seus pais não deixam? Então os aconselhe a ler este post.

Estágio durante o Ensino Médio: 

* Prós 
- Você passa a ter responsabilidades reais. Precisa cumprir horários, atingir metas, se responsabilizar por seus erros, e respeitar hierarquias.
- Quando for buscar um emprego efetivo no mercado de trabalho, não estará com o currículo ‘cru’. Papai, mamãe... eu sei o que estão pensando: ‘Mas quero que meu filho só estude... ele não precisa trabalhar antes de ir para a Faculdade’. Agindo assim, vocês estarão destinando seu filho a ter muita dificuldade ao encontrar um bom emprego. Hoje em dia, estudo importa E MUITO, tenho plena e real convicção nisso. Porém, o que conta muito também é a experiência. A experiência faz o jovem conseguir o emprego, o estudo faz o jovem crescer profissionalmente. Entendem a diferença? Tudo que aprendemos na teoria é NECESSÁRIO que aprendamos também na prática, caso contrário nunca saberemos realmente como se faz. 
- Você passa a receber um salário real e entender a importância de controlar seu dinheiro. Eu sei que muitos que estão lendo podem ter ‘mesadas’ e essas coisas, mas o salário é algo diferente. O salário é o fruto do SEU suor... É algo pelo que você batalhou e recebeu com merecimento... 
- As pessoas percebem que você não é mais criança. Passam a te respeitar mais. Aqui incluem-se ADULTOS e pessoas do SEXO OPOSTO (ou do mesmo sexo, se for o caso) ;D 
- Você vai descobrir o que gosta e no que quer trabalhar. Ou no que não quer.
- Terá contatos profissionais (que é algo EXTREMAMENTE importante). Vai descobrir isso quando precisar de favores. 

* Contras
- Você não terá tempo para Sessão da Tarde, TV Globinho ou coisas do gênero.
- Provavelmente PAPAI parará de bancar suas saídas para o shopping, baladas e afins.
- Você precisará se empenhar no colégio, pois muitos estágios acompanham as notas dos alunos.
- Estagiários, por favor, mandem mais contras, pois não consigo pensar em mais nada. 


Conseguem notar a importância do ESTÁGIO? É uma preparação remunerada (ou não) para uma carreira profissional promissora. Vale a pena, eu GARANTO.

Pense nisso, ;)



Leia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Estagiário 



Próximo Post:

Papo Sério: O MUNDO COMO ELE REALMENTE É.
Parte 2 - ESTUDO

Internet, vilã ou heroína?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010



É, depois de muito tempo, decidi escrever sobre a internet!
Vejam o absurdo... pensei sobre preconceito, sobre paixões e amores, sobre amizades, sobre sofrimento, sobre alegrias, sobre educação, sobre transformação social e acabei escolhendo retomar as postagens no blog, falando justamente sobre internet!
Um dos temas mais banalizados da atualidade. Praticamente todos já ouviram falar ou já falaram sobre o tema. E eu vou falar sobre ele mais uma vez.
Isso é patético! Pensei comigo mesma.
Mas então me dei conta, que patético é não expor minha opinião sobre o tema, quando ela pode acrescentar algo. Quando essa opinião sai de um novo prisma, observando o objeto de debate de um novo ângulo.
Pois bem... Aqui estou eu disposta a abordar o tema, depois de tanto brigar com tico e teco! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk... (o tema é sério, mas sem “kkks” não é a mesma coisa!)


Internet, vilã ou heroína?

Eis que está o ser humano diante da “era da internet”. Como tudo que é novidade, assusta e estimula a criação de mitos a respeito. Vários mitos surgiram a partir de então. O primeiro deles, o de que essa tecnologia nunca seria acessível à “grande massa”. Realmente assim foi, durante um bom tempo, mas hoje, essa teoria já caiu por terra, apesar da população não ter o acesso facilitado como deveria ainda, mas isso é assunto pra outro texto! A partir desse primeiro mito, surgiram outros que foram se multiplicando.
Computador é só pra quem sabe! “Deus me livre mexer nesse troço! Nunca vou conseguir. Vou estragar tudo.”
Como se para aprender a lidar com a tecnologia, não fosse preciso antes ter tentativas, erros e acertos. Mas aí entra outra questão que merece um texto só pra ela. Errar... como assim errar! Errar é para os fracos. Quem erra é castigado. Quem erra é pecador, prejudica a humanidade. Errar é simplesmente vergonhoso, inconcebível. E nesse mito, já se excluiu mais uma porção de cidadãos que nele acreditaram e tem um medo terrível de se aproximar de um computador.
Sim... eu estou falando de exclusão! Mas o texto não era sobre internet, vocês devem estar se perguntando agora.
Era e é. Pois a internet é justamente a faca de dois gumes, o da exclusão e o da inclusão simultaneamente. E está em nossas mãos escolher qual deles queremos fazer prevalecer.
A internet é um recurso extremamente rico de possibilidade para aproximar pessoas e suas culturas, para promover a diversidade, para garantir acesso ao conhecimento, troca de experiências, enfim...
E bem nesse ponto surge o problema... massa bem informada, com possibilidade de unir forças, trocar experiências, com acesso à informação!!!
Acende a luz vermelha! E o “PARE” é ativado. Não se pode correr o risco de perder a massa manipulável, é preciso fazer algo urgente para parar esse acesso indiscriminado a internet.
Somos estrategistas, obviamente não vamos simplesmente dizer pra parar. Vamos usar uma forma de excluir que seja velada, imperceptível, pra não dar margem para reações, revoltas, mobilizações. E qual a estratégia perfeita pra isso...
Os mitos! Ora, vejam só... eles já existem, basta multiplicá-los de acordo com cada necessidade:






1- As novas gerações não tem medo de mexer no PC!!!
Vamos espalhar a idéia que internet é ruim, só tem coisa que não presta. Contaremos com a ajuda da família, que não sabe mexer no computador, logo irão proibir ou limitar consideravelmente o acesso.

2- A família confia no jovem e liberou o acesso!!!
Não teve jeito! Terão acesso! Então melhor garantir que não saibam o que fazer com o recurso, que não descubram o poder que tem nas mãos. Vamos criar recursos que mantenham esse jovens ocupados. Jogos, sites e mais sites de relacionamentos e uma porção de informação inútil.

3- Por essa não esperávamos! Sites de relacionamento aproximando e unindo as pessoas!
Aproximar sim, afinal ajuda a manter nossa ação imperceptível, mas unir... nem pensar! Vamos fortalecer a criação de tribos e promover a discriminação entre elas. Quanto mais se discriminarem menos chances de se unirem.

4- Mais pessoas tendo acesso...
Hora de dizer que internet não presta, que só se perde tempo com ela, criar o mito de lidar com isso é ser desocupado, vagabundo, mau elemento...

5- Pessoas superando medo de computador! Os mais experiente em tecnologia trocando informações com aqueles que tem mais experiência de vida! Perigoso demais!
Promoção de preconceitos e incentivo a discriminação dos mais velhos com mais jovens e vice-versa, imediatamente.
Por fim...o método mais bem sucedido é o de criar preconceitos e promover discriminações. A rivalidade está “bombando”, podemos ficar “susse” enquanto todos são rivais de todos, tentando provar sua superioridade para camuflar a baixa auto-estima que ganharam ao acreditar nos mitos da perfeição, do acerto eterno e passaram a adotar a técnica do ridicularize o outro, antes que ele faça isso com você. A guerra entre eles continuará! Mais alguns anos de garantia do poder em nossas mãos e de concentração de riqueza pra nossa pequena parcela de espertos.


E nós...
Continuamos aqui, cada dia mais felizes. Em especial naquele dia que “dei um print” na página da comunidade onde humilhei o cara que tentava justamente me humilhar também. Ou naquele dia que mostrei “praquela guria sem noção” que sou bem mais que ela. Que todos “babam ovo” por mim. Sem contar aquele dia que acabamos com uns nerds (emos, gays, gringos, etc...) que comentaram no meu tópico!

Enquanto eles...
Divertem-se com nossa barbárie e orgulham-se do poder (concedido por nós) de promover “o distanciamento nosso de cada dia”. Amém.


P.S: continuarei a abordagem do tema numa próxima postagem, explorando a questão de quanto se perde enquanto a escola luta contra a tecnologia e não com a tecnologia.


Carla Françoase

Questão de vida ou morte

domingo, 13 de dezembro de 2009


Há alguns dias, acordei com a notícia da morte da atriz Leila Lopes. É , eu sei que já não é um assunto muito recente, ainda mais agora, na Era da Internet, onde as informações circulam numa velocidade impressionante. Mas achei válido tocar no assunto, dadas as circunstâncias do ocorrido.
Leila foi encontrada morta em seu apartamento, provavelmente por ter ingerido veneno, após ter deixado cartas aos seus familiares e amigos e uma boa quantia em dinheiro para as suas despesas funerárias. Em uma dessas cartas, a atriz se dizia muito feliz e realizada (notamos, Leila), porém cansada de sua rotina de compromissos profissionais, contas, academia e preocupações. Ela queria o seu tão sonhado encontro com Deus. Pois é, suicidou-se.
Agora vamos por partes: feliz e realizada? Eu, particularmente, não entendo porque alguém em estado de "felicidade plena" opta por tirar a própria vida. Não cabe nem a mim, nem a ninguém julgar, mas penso que o sentido da vida mora na busca pela felicidade e não no ato de alcançá-la. Vejo a realização de nossas metas como uma recompensa pelos nossos esforços e a abertura de uma nova porta para concretização de novos planos. Por isso, o argumento de que "ela já estava no auge, não poderia querer mais nada" não cola. Chegar ao topo é uma chance que nos é dada de enxergar as coisas por uma nova perspectiva e se reposicionar diante da vida. Interromper o curso natural dos acontecimentos é um ato de fraqueza, covardia e egoísmo, para não chamar de injustiça. Injustiça com aqueles que nos amam, nos admiram e torcem pelo nosso sucesso.
Nesse momento, paro pra pensar nas pessoas nas UTIs dos hospitais, nas sessões de hemodiálise, quimioterapia, radioterapia. Pessoas em suas cadeiras de rodas, apoiadas em suas muletas, inválidas, doentes. Todas lutando pela própria vida, movidas pelo desejo de continuar, realizar, empreender, compartilhar. Não é um sofrimento solitário, é a cruz de familiares, amigos, conhecidos. Viver é um dom.

Você vai me desculpar, Leila Lopes, mas essas pessoas sim, merecem o meu respeito.

O que você está fazendo?

sábado, 21 de novembro de 2009



É comum a praticamente todo brasileiro indignar-se, quase que diariamente, com a enxurrada de escândalos de ordem política, ética e moral pelos quais somos bombardeados através da mídia frequentemente. Fatos como esses estão se tornando tão corriqueiros que a maioria das pessoas sequer acredita na possiblidade de alguma mudança e simplesmente decide aceitar tudo de maneira passiva.

Fiquei me perguntando ao longo dessa semana o porquê de tudo isso e, na quarta-feira, durante um debate sobre Cultura de Massa e Indústria Cultural na faculdade, eu obtive algumas respostas.

Confesso que fiquei impressionado com a falta de desenvoltura e "bagagem" de alguns alunos (atentem: universitários) ao desenrolar suas opiniões acerca de assuntos tão triviais como os que tavam sendo abordados. Culpa-se, então, a Cultura de Massa.

Ok, vamos lá. Estudiosos do ramo da Comunicação afirmam que a Cultura de Massa é um fenômeno que proporciona informação de maneira homogênea e serial para uma sociedade "sem rosto", de gostos comuns e conhecimento superficial das coisas. Ela baseia-se no princípio de que a informação deve ser democratizada e chegar a todos os setores da sociedade de maneira uniforme, de modo a fazer com que a cultura não seja privilégio de um determinado grupo. É a Cultura de Massa que faz com que você veja uma réplica de uma Obra de Picasso na sala de espera do seu dentista, ou ouça um ringtone de uma obra de Mozart, por exemplo. Obviamente, ela nos proporciona um conhecimento raso, pobre em contéudo e, consequentemente, forma indivíduos alienados. Concordo com tudo isso, afinal é ciência, está provado.

Porém, eu como Publicitário, não posso me dar ao luxo de cuspir no prato que como. Para fazer com que as minhas campanhas cheguem até vocês, preciso me utilizar dos meios de Comunicação de Massa. A propósito, consumo produtos advindos da Cultura de Massa desde pequeno. Ouço CDs das bandas do momento das rádios, vejo TV regularmente, assisto aos lançamentos de Hollywood, compro os tênis da moda e nem por isso me considero um indivíduo acrítico e alienado. E agora? Será que o problema está mesmo no consumo de Cultura de Massa?

Falar que o segredo está na educação é chover no molhado, mas a escola é sim (ou deveria ser) o espaço ideal para a formação de indivíduos de senso crítico apurado, com capacidades intelectuais desenvolvidas, com o poder de transformar informação em formação. É a escola que nos proporciona a oportunidade de discutir, debater e rebater a ideologia dominante e criar contra-ideologias. Embora durante muito tempo a escola tenha sido um instrumento silencioso e eficiente de influência a serviço do Estado, penso que a nossa geração é capaz de quebrar certos paradigmas. Como se sabe, as nações mais bem sucedidas atualmente são aquelas que, nos momentos de crise, optaram por investir em "capital humano", ou seja, no potencial intelectual de sua população.

Abominar a Cultura de Massa? Não creio que seja o caminho. Julien Greimas, linguista lituano, afirma que só somos capazes de compreender as mensagens que nos são enviadas devido a uma característica chamada Imanência. Trocando em miúdos, esta seria a nossa capacidade de discernir o significado das coisas através dos seus opostos. Só sabemos o que é claro porque conhecemos o escuro. Só entendemos o que é alto porque temos a noção de baixo e assim por diante. É necessário que tenhamos conhecimento sobre Cultura de Massa para que isso desperte nosso interesse pela Cultura Erudita. Ou para que pelo menos tracemos paralelo entre elas.

Fazendo uso de todas essas ferramentas, quem sabe um dia nós deixemos de apenas ficar perplexos diante da TV e dos jornais e passemos a propor soluções práticas para tudo aquilo que nos causa indignação.

Espírito Indomável

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Não tive oportunidade de pedir a permissão do escritor para postar esse texto aqui. Mas considerando que foi um presente de aniversário para minha pessoa, acredito que ele não se importará.

Danne, tu és um anjo. Não tem idéia do quanto gostei desse texto. O melhor presente que tu poderia ter me dado. Obrigada.


Fiquem agora com um conto do...




Espírito Indomável

No meio da noite um vento gelado entrou pelo quarto do palácio, afastando as cortinas, deslizando sorrateiro pelo chão, até chegar aos ouvidos do Rei. Uleandro acordou, mas não abriu os olhos. Já sabia o que era aquilo. Nos últimos setenta anos ainda não houvera uma noite sequer em que não tivesse sido tocado por aquele vento. Era o Sussurro de Rhor, um agouro maligno vindo do passado, palavras de morte que, por motivos infames, foram jogadas sobre aquele reino, e que, felizmente, ainda não haviam se cumprido. O Rei as desafiou em pensamentos, mas as que vieram em seguida foram piores, e petrificaram o seu coração. Ele engoliu-as em seco, deslizou sua mão pelos lençóis de cama e, ainda com os olhos fechados, tocou o braço da Rainha, que despertou mas não disse nada. Mesmo depois de setenta anos, aquelas palavras continuavam a assustar mais do que uma guerra, pois a esta altura um final para a Casa-de-Uleandro significava a morte de milhares de pessoas, e sangue inocente derramado é uma coisa impossível de aceitar para um Rei.

Na manhã seguinte, mais do que nos outros dias, o castelo estava cheio de gente. Indo e vindo, seresteiros, repentistas, bailarinos, palhaços, atores e mágicos eram apresentados às dependências do castelo, nas quais se hospedariam pelos próximos dez dias. Eles vinham de muitos lugares, e todos, à exceção dos palhaços, estavam ali para fazer os preparativos para a festa que a rainha encomendara. Seria um acontecimento histórico, era o que todos diziam, pois não se via uma festa assim desde a última Farra, e isso significa vinte e dois anos. Não era para menos. Tratava-se do casamento da Princesa Cher, a segunda filha de Uleandro, que uniria a sua casa a Casa-de-Lótus, e daria ao seu povo um horizonte muito maior para conhecer e amar. Cher estava radiante e nervosa. Passava os dias inteiros no seu quarto, lendo almanaques de casamento, treinando as palavras na frente do espelho, e sonhando com seu futuro esposo, o Príncipe Sancho. Queria que tudo fosse perfeito, assim como fora para sua irmã mais velha, Ana, que casara meses antes e partira para as montanhas do Oeste, de onde só se ouviam notícias felizes.

Entretanto, uma sombra de tristeza pairava sobre seu coração da princesa, e às vezes a perturbava a ponto de fazê-la chorar de medo. O caso é que quando o Rei anunciara seu casamento também prometera que na mesma festa apresentaria sua filha mais nova, Débora, aos príncipes do Litoral. Cher tinha receio de que todo esse alarde não fosse por causa do seu matrimônio, e sim porque sua irmã finalmente daria seu primeiro baile de pretendentes. E de fato seu temor tinha fundamentos, já que a beleza de Débora era assunto constante nas rodas de fofocas da sociedade. Poucas pessoas haviam-na conhecido, mas isso fora suficiente para se criar lendas ao seu respeito, e muito se falava sobre a sua personalidade singular. Débora era arisca, soturna, falava pouco, e gostava de passear sozinha pelas montanhas, onde decifrava os sussurros do vento e aprendia a conversar com os pássaros. Não tinha interesse por bailes, e sempre fugia quando o assunto era casamento. É necessário dizer, porém, que um dia lhe passou pela cabeça que casar significava no mínimo ir embora de Rudão, e isso era tudo o que ela queria, ir para os confins do mundo, em algum lugar ermo, onde pudesse brandir uma espada e retesar seu arco sem ser incomodada por alguma regra idiota da sociedade, daquelas que dizem que as pessoas não podem fazer o que querem porquê é feio.

Num certo dia de chuva, a Rainha, Daia de Aluanda, cuja história será contada mais tarde, foi até o quarto de Débora para discutir o vestido que usaria no baile, e ensiná-la alguns truques de mulher, para que conseguisse fisgar o coração do maior número de rapazes possível. Mas quando abriu a porta ela não estava lá. As cortinas estavam abertas, e uma corda tosca estava jogada por cima da varanda. Logo Daia deduziu que sua filha havia descido por ali, e foi até o jardim procurá-la. E lá ela estava, pisando descalça no chão de terra molhada como se fosse um felino, sem fazer barulho. Carregava pedaços de madeira para algum lugar misterioso, e quando foi surpreendida pela mãe tomou um susto e jogou-os para o alto, atingindo uns galhos e fazendo cair o orvalho.

- O que você está fazendo? – perguntou a Rainha.
- Oi mãe... – Débora sorriu sem graça.

Daia então começou a caminhar pelo jardim, e em pouco tempo descobriu um pequeno monte de madeira, que estava empilhado detrás de um tronco de qüerco. Débora ficou sem graça e tentou desviar a atenção da sua mãe para a quantidade de estrelas que havia no céu, mas não funcionou. Daia a encarou curiosa e perguntou o que ela estava pretendendo. Enrubescida, a princesa respondeu que construiria um navio, e sorriu. A Rainha ficou perplexa, mas desconfiou que aquilo fosse só mais uma das estranhices de sua filha, e reparou que o céu estava mesmo impressionante. Milhões de pontos luminosos reluziam no firmamento, como se lá alguém estivesse a festejar o dia mais feliz da sua vida.

– É mesmo lindo.
– Eu queria poder tocar essas estrelas.

A rainha então se aproximou da sua filha, abraçou-a e disse ao seu ouvido:

– Débora, espírito indomável.
– Mãe – sussurrou Débora – lembra quando havia um riacho que passava aqui no jardim?
– Sim, sim. Você ainda era uma criança, e adorava brincar aqui. Ninguém podia com você... Mas porque lembrou disso agora?
– Eu sinto falta daquele riacho.
A noite já estava quente, mas o ar ainda cheirava a água. Todas aquelas estrelas tinham surgido depois de três dias tempestuosos como há muito não se via. Antigamente costumava-se dizer em Rudão que três dias seguidos de chuva era um péssimo presságio: significava a iminência de uma guerra. Débora, que era nova demais para saber dessas coisas, vira da sua varanda a chuva cair até criar pequenos lagos no sopé da montanha e depois transformá-los em riachos caudalosos, que na sua intermitência mais pareciam eternos. O som da correnteza ecoava na sua mente, atormentando-a com lembranças. Débora tomou a mão da rainha e a levou até um banquinho que ficava perto da fonte. Lá deitou no seu colo e repetiu:

– Eu sinto muita falta daquele riacho...
– E eu sinto falta daquele tempo, quando te pegava no colo assim, desse jeito, e te contava histórias, contos-de-fada, e depois cantava para você dormir.

Então Débora virou-se e encarou sua mãe, e por um momento aquilo foi como olhar num espelho e perceber que seu reflexo está anos mais velho, e já não sonha mais para si, apenas para os outros.

Quando a Princesa dizia que sentia falta daquele riacho, não era apenas saudosismo. Tratava-se de algo maior e mais íntimo. Na sua infância, todos os dias ela descia até aquele jardim para brincar na beira do riacho com as suas irmãs, ou com suas primas. Lá aprendera a nadar, e os peixes eram seus amigos e não fugiam à sua presença. Eram dias alegres aqueles. Acordar e dormir com o barulho da correnteza, nadar até a foz e se deixar levar pela água... O riacho era como uma parte sua, e se separar dela significava o mesmo que ser mutilada. Mas um dia, num jantar no castelo de Rudão, os reis do Oeste começaram a discutir sobre quem teria o maior jardim, e Uleandro ficara perturbado ao descobrir que o seu era apenas o terceiro. Ora, se ele tinha o maior reino, obviamente deveria ter também o maior jardim. “Que disparate!” Foi assim que o Rei teve a idéia de construir um dique na nascente do rio, e desviar seu curso para os lençóis das grutas de Belfalas. Chamou seus melhores engenheiros e fez todo esse trabalho em menos de um dia. A pequena Débora, que dormia logo ao lado, acordou sobressaltada, pois de uma hora para outra tudo havia silenciado. Então foi até a varanda e lá de cima viu o que havia acontecido. Desesperada correu para a torre e desceu os degraus aos saltos, até que chegou até o jardim e parou, no lugar onde passava o rio, e ficou petrificada. Não havia mais riacho. Só os peixes, todos mortos. Não havia mais nada. Depois disso Débora chorou por dias, sem saber porque o riacho havia ido embora. Chorou e chorou, até perceber que ele não voltaria.

– Sabe mãe, – disse a princesa – outro dia o Mestre Pião estava dando aula lá no pátio, e eu ouvi-o dizer que todos os rios vão para o mar. Se isso for mesmo verdade é para lá que quero ir. Quero encontrar com o meu riacho novamente.
..

[continua...]
Escrevinhado por Daniel Magalhães no dia Primeiro de fevereiro de 2009 às 20:58